
A única saída é mesmo a escrita, a mais dolorida. Sempre falei demais, falei alto, ri alto e gargalhei estupidamente o tempo todo, mas só escrevendo posso falar das coisas que teimo em guardar a fundo, mesmo que ninguém leia, mesmo que me sinta a pessoa mais idiota do mundo, é escrevendo. Escrever é o ato mais dolorido e solitário que existe, o mais revelador. As palavras entregam, uma hora ou outra a gente se mostra completamente em texto, medo, angústia e depois volta atrás e ri e chora, como criança que perde o brinquedo preferido no parque. Enquanto o silêncio toma conta da casa e as pessoas adormecem o pensamento insiste em girar, encontrar rostos do passado e dores mais presentes do que cada tecla que insisto em apertar agora. As coisas perdem o rumo e as palavras não me fazem mais sentido, tento sempre me contar, me mudar, tento ser o que acho que é certo e nunca me conserto, porque o erro é daqui, do que sou. Escrever me dói e me alivia, penso que um dia me fecho de vez para o mundo, pra me abrir pra uma folha de papel, não se trata de não me escutarem, mas de quando eu me escuto. Talvez eu nunca seja a pessoa que eu espero que seja, talvez eu espere errado ou seja errado. As coisas perdem o controle, perdem o sentido, vai ver é isso. Perdi o sentido de ser, agora só sou quando escrevo. Quem me dera não saber confessar em palavras, quem me dera ficar calada como eu queria. Sou dramática demais escrevendo e ainda assim parece que nunca consigo expressar realmente o tamanho do que sinto, a intensidade. Queria que as pessoas me lessem, sou um texto vivo, talvez assim, me salvariam de mim. Talvez minha única saída seja mesmo a escrita. (falasdosilencio)

Será que estou sozinha nesse mundo, sozinha nessa guerra, nesta noite? Será que você pode me ouvir chorar? Espero que não, não gosto de expor minha fraqueza. Muitas vezes disse que eu era forte e muitas vezes menti. Desculpe por não ganhar nenhum concurso de Miss, por nunca me sentir bela. Eu deveria saber quando você me disse aquelas palavras cruéis no telefone, sua arma estava em direção ao meu peito na qual estava carregada de sofrimento, embora eu pudesse ter me afastado para que não me atingisse, me mantive no lugar. Por um momento relembro todos os nossos momentos bons, a gente se encontrou num lugar movimentado, a expressão do seu rosto me chamou atenção em toda a multidão, parecia preocupado, seu olhar dizia alguma coisa que não descobri naquele momento, nunca pensei que você faria isso comigo, parecia tão meigo, tão simples, tão cuidadoso, mas não passa de um canalha. O que eu mais preciso agora e de um ombro amigo, de um soldado, para pegar minha mão e prometer me manter viva e não me tornar mais uma vez uma vítima do amor. Tenho coração mais solitário que já sobreviveu, mas tudo nessa vida é justo, no amor e na guerra. Com uma última esperança, eu ergo os braços ao alto e peço ajuda á ELE. Por mais que você tente, não, eu nunca serei derrubada. Saiba que da próxima vez vou ser mais corajosa, serei o meu próprio salvador, em pé sobre meus próprios pés.
DE PLAY ANTES DE LER.
Ela era uma menina linda, seu sorriso era maravilhoso, tinha em sua boca sempre palavras de conforto, sempre pronta e disposta a ajudar quem precisava. Era uma boa filha e uma ótima amiga, e como qualquer outra menina de sua idade, estava atrás de seu “grande amor”, mas foi esse “grande amor”, esse amor que não era recíproco, que tirou ela de seus amigos, sua familia e de todos ao seu redor. Com o passar do tempo, seus sorrisos já não eram mas os mesmos, suas palavras de conforto mal saiam de sua boca. Conselhos? ajuda? ela era que precisava de palavras de carinho, ela precisava de alguém que se importasse com ela, ela precisava de um abraço e ouvir “vai ficar tudo bem”, ela queria ser feliz, e queria em troca o mesmo amor que ela tanto dava. E sempre com um sorriso forçado, estampado em seu rosto ela dizia “estou bem”, “não se preocupem”. Mas a verdade é que ela não estava bem, a tempos vivia em seu próprio mundo, seu mundo de dor, de agonia, aflição, sangue e lágrimas de um coração aflito, tudo isso por um amor não correspondido, amor esse que a destruiu lentamente. Dor fisica? era mínima perto da dor que ela sentia em seu coração, perto da aflição de sua alma, perto de todas as noites em claro suando frio, segurando o choro, e machucando sua carne lentamente. Certo dia logo pela manhã, ela fora encontrada morta em seu quarto, facas com sangue, e um vidro de veneno em sua mão, e logo ao lado uma carta que dizia: “Amem, amem alguém por mim, façam alguém feliz por mim, nunca deixem ninguém sofrer metade do que eu sofri, é dor fisica, psicológica, tudo dói, meus ossos até em minha alma, e não se preocupem, não estou tirando minha vida, estou começando uma nova”. Ela amou tanto alguém que não queria ela, deu seu melhor pra alguém que a desprezava, que tirou sua vida, pensando ser o melhor pra ela, e pra todos. When You’re Gone era sua musica favorita, sempre se ouvia em seu quarto, e onde ela estivesse. E no dia de seu enterro, foi tocada repetidas vezes, até o ultimo adeus.
Junior Araujo -C.L 69 para alguém que eu nunca vou esquecer…